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Por onde começar as previsões de demanda de peças de reposição?

Encontrar o equilíbrio ideal entre armazenamento e custos de movimentação de inventário, ao mesmo tempo em que se oferece contratos de serviço competitivos, tem sido há muito tempo um dos maiores desafios enfrentados pelos fabricantes de equipamentos originais (OEM) ou pelos prestadores de serviços pós-venda (ASSP). Uma vez que o planejamento de peças de reposição do OEM é predominantemente um processo "comprar para estocar", o planejamento é baseado quase inteiramente na previsão. Isso explica por que a previsão de demanda de peças de reposição é um aspecto extremamente crítico do processo de planejamento de peças de reposição do OEM.

Dirk Janse van Rensburg

A previsão de demanda é uma ciência desafiadora. A demanda pelas peças de reposição é geralmente intermitente, errática e de consumo lento. Uma abundância de dados de alta qualidade é o pilar da análise ou previsão de demanda. Frequentemente, os dados necessários não estão disponíveis ou não são confiáveis, o que força os OEMs a fazer uma extrapolação básica da demanda histórica. Muitas vezes, o tradicional método de previsão de séries temporais resulta no excesso de pedidos, o que leva ao acúmulo de produtos de consumo lento em toda a cadeia de abastecimento e à incapacidade de otimizar. A realidade é que os OEMs que buscam oferecer um serviço superior a preços competitivos exigem um nível de confiabilidade na previsão que não pode ser obtido apenas pelos métodos de previsão de séries temporais.

Uma abordagem de previsão mais avançada não conta apenas com dados de demanda histórica, mas inclui dados sobre a base instalada. A base instalada geralmente é definida como todo o conjunto de equipamentos que um OEM vendeu e que ainda está em uso.

Infelizmente, a jornada em direção a uma gestão mais madura das informações da base instalada é dificultada por obstáculos. Geralmente, os equipamentos são complexos e consistem em diversas hierarquias, como subconjuntos e peças. Somam-se a isso diferentes combinações de subconjuntos que são configurados juntos e mudam com o passar do tempo, o que requer uma disciplinada gestão de configuração. O OEM começa com o puro objetivo de construir um equipamento padrão, no entanto, qualquer forma de customização torna cada equipamento específico. Os OEMs não dispõem de informações sobre como e onde o equipamento é utilizado pelo seu proprietário, a menos que o proprietário tenha um contrato de serviço. Em muitos casos, o proprietário muda o equipamento de um lugar para outro sem informar o OEM.

Mas, como todas as boas jornadas, esta não começa sem um plano. Para determinar quais informações da base instalada são necessárias para auxiliar na previsão de demanda, é importante compreender o ciclo de vida do equipamento. Muitos equipamentos exibem um padrão de ciclo de vida de demanda com crescimento inicial, maturidade e uma fase final de declínio. Com esse entendimento, é possível criar e implementar a gestão das informações da base instalada em suporte à previsão de demanda de peças de reposição.

Figura 1. Tamanho da base instalada, demanda de equipamentos, demanda de peças de reposição e devoluções de equipamentos (adaptado de Inderfurth and Mukherjee, 2008)

A demanda de peças de reposição seguirá a demanda de equipamentos, mas com um atraso. Solomon et al. (2000) chamam isso de "Discrepância do Ciclo de Vida". No início, parte da demanda de peças de reposição pode acompanhar a fase de comissionamento do equipamento, mas o grosso da demanda de peças de reposição, causada por deterioração e falhas, ocorrerá ao longo do ciclo de vida do equipamento, aumentando à medida que a base instalada envelhece.

De acordo com a disponibilidade de informações precisas e completas sobre a base instalada, é possível selecionar o método de previsão correto por equipamento. Equipamentos na fase madura podem usar um método sofisticado de previsão que inclui planos de manutenção, padrões de uso e qualquer forma de customização.

Os benefícios de criar modelos de previsão de demanda de peças de reposição de acordo com as informações da base instalada envolvem primeiramente a melhoria da precisão e da pontualidade da previsão, em comparação a previsões baseadas somente na demanda histórica. A pergunta que permanece é: "qual seria o investimento para implementar a estratégia de gestão de informações da base instalada, e qual seria o valor resultante disso?". A complexidade do esforço para implementar e manter informações da base instalada aumenta à medida que aumentam o tamanho da base instalada e a magnitude das características da demanda de peças de reposição; no entanto, aumentam nesse mesmo ritmo os benefícios de criar um modelo de previsão mais sofisticado. A abordagem lógica seria começar enfocando peças de reposição caras e de consumo lento no intuito de testar o conceito e comprovar o valor, e prosseguir a partir daí. Além disso, priorize sistemas de equipamentos que tenham informações de base instalada mais completas no que se refere à fase em que a base instalada está.

Estou convencido de que uma boa e precisa estratégia de gestão de base instalada traz muitos benefícios de longo alcance para o OEM. Um deles é uma previsão de demanda de peças de reposição muito aprimorada e precisa.