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Gestão de Ativos e a Confiabilidade

O cenário industrial o qual estamos vivenciando é o de uma gigantesca transformação tecnológica, ou seja, tecnológica porque é produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas. É uma aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas das indústrias e uma das que mais são afetadas por essas transformações é a manutenção e consequentemente a Gestão de Ativos. Outro complicador a qual estes setores estão se deparando é com o aumento da velocidade com que o conhecimento passa de um lado para o outro e retorna de onde saiu transformado ou seja de uma nova forma. Isso faz com que os mercados sejam cada vez mais disputados, automaticamente acirrando a competição entre as empresas.

Vimos nos últimos anos grandes mudanças em todas as áreas da indústria e com isso estas estão cada vez mais focadas em encontrar o equilíbrio ideal entre os três grandes direcionadores conflitantes, existentes nas empresas de hoje, que são: desempenho, sustentabilidade (custo) e risco/conformidade. Podemos perceber na figura abaixo que realmente são antagônicos, pois ao mesmo tempo que altera-se o posicionamento de um direcionador também se altera a posição dos outros dois direcionadores.

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Empresas que buscam a melhoria contínua de seus processos e consequentemente a confiabilidade como um todo tem a dura tarefa de acertar a cada momento do dia uma posição para estes direcionadores conflitantes. Não existe uma receita pronta para o equilíbrio perfeito pois este é dinâmico e com esta condição pode ter uma posição ideal a cada momento do dia a dia das pessoas de tomada de decisão nas indústrias.

É neste cenário que a Gestão de Risco adquire uma importância sem precedentes para as empresas que necessitam de uma combinação cada vez maior de variáveis e consequentemente cada vez maior valor no final de cada dia de negócios.

A Gestão de Risco tem por função básica aumentar a confiabilidade em tudo que pode influenciar na garantia de que o produto ou serviço não irá falhar na hora em que o cliente os estiver utilizando. Isso se deve ao ato de entender ao máximo a maioria das incertezas que envolvem a fabricação de um produto ou ao fornecimento de um serviço. Nunca se atingirá 100% de confiabilidade, pois é praticamente impossível identificar e mitigar todas as variáveis de um processo produtivo e ou de prestação de serviço. Podemos dizer que a partir do momento que estabelecemos este foco no entendimento dos riscos e na incessante tratativa de mitigá-los estamos obtendo uma maior ou menor confiabilidade de qualquer processo. O que nos resta saber é até que ponto o cliente está disposto a custear tudo isso.

A confiabilidade de um produto ou serviço está diretamente ligada ao que preconiza o conceito de qualidade, que é o atendimento das necessidades do cliente. Com isso atenderemos as necessidades básicas de qualquer consumidor ao adquirir um produto, que é o atendimento pleno de suas expectativas ao adquirir o produto ou serviço.

Veja que para conseguirmos auferir um novo patamar a uma marca, uma das facetas do ativo intangível (ISO 55000:2014 e PAS55:2008), necessitamos que todos os ativos, ou seja, financeiro, informacional, humano e o próprio intangível trabalhem em uma única direção, que é o ativo físico, pois este refletirá da mesma forma em direção contrária. É através deste que ativo físico que construímos e satisfazemos nossos consumidores, sejam eles internos ou externos. A grande maioria das indústrias investem milhões em softwares e em consultorias de confiabilidade mas esquecem que a confiabilidade é resultado de e não um produto de prateleira ao qual compramos e colocamos em uso, sem uma preparação ou amadurecimento dos processos como um todo.

Na figura abaixo pode-se observar que todos os ativos estão dispostos de uma forma que interagem entre si através do ativo físico e consequentemente recebem novos “inputs” para que existam novas reações e assim para que a empresa atinja um novo patamar na sua confiabilidade como um todo.

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Fig. Ativos PAS55:2008 PRAGMA 2013 Todos os direitos reservados

Agora vem o grande desafio preconizado pelo PAS55:2008 e pela NBR ISO 55000:2014 que é realizar a gestão dos ativos para que no final tenhamos clientes e partes interessadas totalmente satisfeitos.

Em se tratando de confiabilidade, ou seja, do resultado obtido da Gestão dos Ativos podemos dizer que somente atenderemos aos anseios dos clientes a partir do momento em que considerarmos que todos os ativos envolvidos no processo estejam clara e diretamente controlados e que sejam totalmente acessíveis e mensuráveis.

Para que isso seja possível tem-se que trabalhar cada um dos ativos na sua raiz e isso significa o que segue:

  • Ativo Humano: Determinar todas as suas funções dentro do processo como um todo para que se possibilite a montagem de um plano de habilidades e competências com foco na melhoria contínua e consequentemente a tingimento do patamar desejado deste ativo dentro do processo de Gestão de Ativos e consequentemente da confiabilidade.

  • Ativo Informacional: Coletar todas as informações produzidas direta ou indiretamente pelos ativos, mercado, processos, clientes e partes interessadas para que se possa exercer a máxima influência sobre os ativos físicos.
  • Ativo Financeiro: Estabelecer parâmetros onde possamos obter informações e saber em que momento devemos investir ou parar de investir neste ou naquele ativo. Para isso devemos possuir parâmetros de investimentos em cada ativo considerado importante para o resultado final da empresa.
  • Ativos Intangível: Reputação. Imagem, moral e impacto social entre outros são formas de enaltecer e valorizar este ativo. Deve-se elaborar planos e ações para estes sejam impactados e reflitam no final uma imagem ilibada ao cliente do produto final a qual a empresa se propõe satisfazer.

Com todas estas informações em mãos pode-se elaborar um ou mais planos de melhoria?

A resposta mais óbivia seria “sim” mas a resposta correta é “não” pois a empresa ainda não sabe como ela está em gestão de ativos e o que isto quer dizer? Quer dizer que a grande maioria das empresas não sabe como estão empreendendo esforços e investimentos e qual é o retorno que isso está proporcionando. Sendo mais claro não se sabe quais as melhores práticas adotadas e quais os resultados medidos e alcançados. Mas isso é assunto para o próximo artigo...... até lá!

Segundo Vollert Jr. (1996, p16) “as várias técnicas de confiabilidade, que são aplicadas durante todo ciclo de vida do produto, existem a fim de evitar que falhas ocorram quando o produto está na mão do usuário”

Quando conseguimos associar o conceito de confiabilidade a uma marca (Ativo Intangível – PAS55) significa que estamos agregando valor a esta marca e por consequência tornando a marca e ou empresa mais competitiva no mercado. Não podemos deixar de mencionar que existe, nos dias de hoje, uma cultura do que é bom dura pouco pois assim o cliente pode trocar de produto mais rápido, ou seja a cultura do descartável mas mesmo nesta situação a confiabilidade é requerida por este tipo de cliente pelo tempo que ele imagine que o produto ou serviço tenha que durar. Quando temos falhas em equipamentos o resultado já é sabido, ou seja, prejuízo para as indústrias que tem neste um ponto de partida para uma rodada de grandes erros, pois ai as empresa iniciam com o aumentos dos estoques desde a matéria prima passando por estoques intermediários, estoques de peças de reposição e consequentemente o aumento dos estoques de produtos acabados e claro sem deixar de falar da mão de obra. Toda essa quantidade de ações é para que a empresa não comprometa o nome da mesma perante o cliente pelo simples fato do não atendimento por falta de seu produto.

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Gerson Arcos
Head Master Pragma Academy